Cenário do movimento operário lisboeta no século XIX

Em 1890, Lisboa acolhia 15.349 operários, que se distribuíam por 259 fábricas. Têxteis e tabacos eram os setores com maior número de empregados.

O Ministério das Obras Públicas, Comércio e Indústria promoveu em 1890 um levantamento de toda a atividade fabril em Portugal, do qual resultou o Inquérito Industrial de 1890. Lisboa, onde se concentrava 7% da população portuguesa, era ponto de chegada de operários fabris e vivia um tempo de mutações económicas e sociais, motivadas pelo desenvolvimento industrial.

Com esses dados, Ana Alcântara, investigadora da NOVA FCSH, construiu uma cartografia digital da cidade, permitindo-lhe identificar neste artigo a distribuição espacial da indústria em Lisboa e caracterizar os principais locais de trabalho dos operários lisboetas de 1890.

As fábricas e oficinas de pequena dimensão concentravam-se na Baixa Pombalina: as de vestuário e calçado concentravam-se na Rua do Ouro; Rossio acolhia fábricas de chapéus, luvas e cestaria; o Bairro Alto era a casa de tipografias e litografias; o Martim Moniz, na Mouraria, acolhia um pouco de tudo, desde padarias a fábricas de móveis. Os estabelecimentos com mais trabalhadores espalhavam-se pelas novas zonas de desenvolvimento industrial: Alcântara ocidental, Xabregas oriental e Campo Grande.

Legenda da imagem: dirigentes e operários de fábrica de cimento em Alcântara (segunda metade do século XIX). Fotógrafo: Francesco Rochinni. Créditos: Arquivo Fotográfico de Lisboa.

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