Cidade guiada: um filme e uma reflexão sobre o turismo de Lisboa

Uma tese de mestrado em Antropologia da FCSH/NOVA deu origem ao filme “Cidade Guiada” –  um olhar sobre a revalorização do centro de Lisboa através do turismo.

Quando outros países têm outra coisa a vender, Portugal vende as suas cidades.” A afirmação é de Mara, guia turística que participa na tese de mestrado de Catarina Leal em Antropologia (2014) da FCSH/NOVA  e no filme que dela resultou – “Cidade Guiada”. Em ambos são discutidos os desafios da reabilitação do centro histórico de Lisboa.

Através de visitas guiadas por Alfama, Mouraria e Graça e das conversas que se vão gerando entre os seus guias turísticos, o filme documenta a forma como o turismo tem acelerado o processo de reabilitação destes bairros. Porém, a perda de antigos habitantes  e das “pessoas autênticas” gera uma autenticidade encenada para agradar a turistas.

Este reverso da medalha é representando num dos muitos diálogos do filme: “acabaram com as tabernas, agora fazem coisas a imitar tabernas; acabaram com as padarias, agora fazem coisas a imitar padarias”.

Créditos da imagem: Nuno Pires Soares.

2 comentários em “Cidade guiada: um filme e uma reflexão sobre o turismo de Lisboa

  • Há para aí uns 15 anos atrás, durante a febre do crescimento bancário em Portugal, alguém escreveu um artigo no expresso vaticinando: “muitos dos cafés que agora fecham, para aparecerem agências bancárias, voltarão a ser cafés”.

    Isto para lembrar que o mercado se autoregula.

    Acabaram com as tabernas?
    Acabaram com as padarias?

    Querem ver que, afinal, não foram os hipermercados a acabar com esses pequenos negócios.?!!!

    Claro que não! Isso ficou desactualizado. Agora o que está na ordem do dia é o Alojamento Local com os seus turistas. Quem quer saber de hipermercados agora!

    Tem de se escrever sobre assuntos do dia para sermos lidos, não é? Ainda que os dados demográfios desmintam as afirmações por nós produzidas.

    • Caro João Paço,

      Agradecemos o seu comentário. O artigo foi feito com base numa tese de mestrado em Antropologia, identificada na peça. Continue a visitar-nos!

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