Combate às epidemias: a transformação urbana de Lisboa

As crises epidémicas de cólera e febre amarela provocam, entre 1856 e 1857, a morte de seis mil lisboetas, levando à transformação urbana de Lisboa em prol do novo conceito de saúde pública.

Em plena vaga epidémica de 1857, um Congresso Sanitário organizado pela Academia das Ciências tenta perceber de que melhoramentos carece Lisboa para proteger a população das epidemias. Desse encontro nascem as principais orientações que seriam fixadas legalmente no Decreto de João Crisóstomo, em 1864. O combate à insalubridade passava pela melhoria das infraestruturas de saneamento, manutenção das condições de higiene, criação de serviços urbanos e vigilância das atividades poluentes.

A remoção das lamas da Boavista (de Alcântara à Ribeira Nova), considerada o foco principal de infeção, foi uma das obras necessárias, exemplifica Joana Cunha Leal, historiadora de arte da NOVA FCSH, neste artigo (2009). No entanto, o futuro de Lisboa dependia da construção de uma cidade nova, dado que Alfama, Mouraria e a Baixa apresentavam irregularidades e insuficiências ao nível da ventilação e da iluminação, para além da exiguidade dos saguões.

A grave crise económica da segunda metade do século XIX e a pressão dos agentes da construção levaram ao insucesso da lógica ensanche, isto é, ao planeamento urbanístico para fora do centro, e a cidade pombalina continuou a ser densificada. Só no final do século XIX a geografia da capital tomaria novas proporções.

Legenda da imagem: panorâmica da zona da Rocha do Conde de Óbidos, de onde foram removidas as “lamas da Boavista” (1901). Créditos: Arquivo Fotográfico de Lisboa.

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