Uma Lisboa que nunca saiu do papel

A Praça do Comércio sem o Cais das Colunas, a Estação de Sta. Apolónia ladeada por um Hilton megalómano ou uma autoestrada no Parque Eduardo VII são projetos que, em algum ponto da História, foram considerados para a cidade. É isso que nos mostra a exposição “A Lisboa que teria sido”, com a curadoria de Raquel Henriques da Silva, da NOVA FCSH.

O crescimento da população, os fenómenos naturais ou simplesmente o desejo de engrandecimento das cidades têm sido fatores determinantes na transformação dos centros urbanos, suscitando intervenções na paisagem urbana. Essas propostas de intervenção geradas ao longo de séculos – e neste caso nunca concretizadas – são reveladas na exposição “A Lisboa que teria sido”, patente de janeiro a junho de 2017 no Museu de Lisboa.

As cerca de 200 peças centradas em propostas arquitetónicas e urbanísticas dos últimos 500 anos têm em comum o desejo de monumentalizar a cidade. Essa vontade de engrandecer a capital acentuou-se nos tempos dos Descobrimentos, o marco temporal mais antigo desta mostra. Mas houve também o entendimento de que faltava grandeza ao traço pombalino que emergiu nos finais do século XVIII, na reconstrução que se seguiu ao terramoto de 1755. E pelos séculos seguintes prosseguiram os projetos para reconfigurar a cidade.

Entre diversos projetos urbanísticos contam-se trabalhos de Francisco de Holanda, Eugénio dos Santos, J. C. Nicolas Forestier, Ventura Terra, Cristino da Silva, Raul Lino, Cottinelli Telmo ou Cassiano Branco.

A exposição é comissariada por Raquel Henriques da Silva, coordenadora do Departamento de História da Arte da NOVA FCSH, e António Miranda, anterior coordenador do Museu de Lisboa.

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