13 Novembro, 2018

Da Quinta da Holandesa ao Bairro do Armador: desafios de integração da comunidade hindu

Uma tese de mestrado estudou a vida social da população hindu realojada em finais dos anos de 1990 no Bairro do Armador, em Marvila. Vinte anos depois, como vive esta comunidade num bairro associado à sua etnia e cuja voz não se faz ouvir?

Na década de 1990, o Município de Lisboa reintegrou no Bairro do Armador, em Marvila, a população hindu que vivia na maioria na Quinta da Holandesa, um conjunto de barracas perto da Praça Francisco Sá Carneiro, no Areeiro.

Vinte anos depois, Alexandra Barreto procurou perceber se esse processo de inserção tinha sido bem-sucedido. Movia-lhe a curiosidade em saber como são as vidas das famílias indianas no bairro tão associado a esta etnia e porque é que a comunidade tem tão pouca expressão político-social. O resultado deu origem à sua tese de mestrado em Migrações, Inter-etnicidades e Transnacionalismo (2015) da NOVA FCSH.

A maior parte dos residentes de origem indiana que vive no bairro chegou a Portugal em finais dos anos de 1970, proveniente de Diu. A religião tem um papel significativo nas suas vidas e o tema foi abordado em todas as entrevistas feitas pela investigadora. A comunidade é movida por um grande sentido de solidariedade e hospitalidade: muitas famílias realojadas eram alargadas, isto é, compostas por pais, tios, primos e outros parentes.

Embora o processo de realojamento tenha sido positivo, a investigadora considera que a comunidade hindu não está ainda “integrada” no bairro do Armador, porque este conceito implica participação ativa. A população hindu convive pacificamente com os vários habitantes e espaços do bairro, mas não estabelece verdadeiras relações de vizinhança.

Por exemplo, a convivência de quase 15 anos entre os diferentes grupos étnicos não equivale a um conhecimento do que são as práticas religiosas ou culinárias de uns e outros. A investigadora não encontrou mulheres hindus que tivessem convidado mulheres portuguesas para as suas casas e há um enorme afastamento da população hindu em relação à cigana e à africana, mesmo quando é apenas uma porta que os separa.

Institucionalmente, os indianos hindus não se fazem representar nem tentam estabelecer um diálogo junto das entidades e responsáveis do bairro, mesmo que sejam o grupo étnico mais expressivo. A criação de uma Casa de Diu poderia ser uma infraestrutura promotora das relações intergrupais, mas essa vontade não foi ainda demonstrada pela comunidade.

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