Livro do mês #março: A Lisboa de Miguel de Cervantes, de Maria Fernanda de Abreu

Com pouco mais de 30 anos, Miguel de Cervantes, autor da emblemática obra Dom Quijote de la Mancha, viveu em Lisboa. Eram os finais do século XVI, reinava Filipe II de Espanha.  Gentes e locais da cidade seriam retratados na sua última obra, publicada há cerca de 400 anos.

Los trabajos de Persiles y Sigismunda foi a última obra de Miguel de Cervantes (1547-1616). Publicada um ano após a sua morte, esta novela bizantina conta as aventuras de dois jovens, Persiles e Sigismunda, que se enamoram, se separam e se reencontram no final. Maria Fernanda Abreu, antiga docente da NOVA FCSH, presta uma homenagem ao autor e a esta obra quadricentenária com o livro A Lisboa de Miguel Cervantes (Edições Colibri, 2017). Aí reproduz, em português e em espanhol, passagens do livro relativas à estadia dos protagonistas em Lisboa.

Terra! Terra! Ainda que melhor diria: Céu! Céu! Porque, sem dúvida, estamos na paragem da famosa Lisboa” – é assim retratada a chegada a Lisboa. Mal desembarcam, os protagonistas elogiam as gentes da cidade: “Todos os seus habitantes são agradáveis, são corteses, são liberais e são enamorados, porque são discretos”. Visitam o Convento de Madre de Deus, o centro da cidade e o Mosteiro dos Jerónimos. De Lisboa seguem a pé, como peregrinos, até Roma.

Outra das personagens do livro é o “enamorado português” Manuel de Sousa Coutinho, que Cervantes conheceu em Argel quando ambos estavam prisioneiros dos mouros. Almeida Garrett ficou a admirar tanto esta personagem que a consagraria no drama romântico Frei Luís de Sousa.

Embora Cervantes tivesse ficado célebre por Dom Quijote de La Mancha, o escritor espanhol considerava Los trabajos de Persiles y Sigismunda como a sua melhor obra.

 

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