22 Outubro, 2018

Mães e filhas destacam-se em palcos e na toponímia lisboeta

Sabia que duas mães e duas filhas que partilharam o palco na primeira metade do século XX têm hoje os seus nomes inscritos em ruas da capital? 

Nasceram ambas na freguesia de Anjos com trinta anos de diferença. Margarida Adelina Abranches (1866-1945), a mãe, e Aura Abranches (1896-1962), a filha, foram duas figuras marcantes do teatro português e estrearam-se ambas muito jovens no Teatro Nacional D. Maria II: Adelina Abranches representou com apenas cinco anos na peça Os Meninos Grandes, de Enrique Gaspar; Aura Abranches tinha 12 anos quando apareceu na comédia Zefa, de Maximiliano de Azevedo. Percorreram os teatros da capital e fizeram digressões pelo continente, ilhas e Brasil, tendo até criado em sociedade a Companhia Teatral Adelina-Aura Abanches. Entre os seus sucessos em palco, contam-se a peça A Mãe, protagonizada por Adelina Abranches, e  A Alegria de Viver, por Aura Abranches.

Hoje, dão nomes a ruas na freguesia de Benfica: a Rua Actriz Adelina Abranches fica a cerca de cinco minutos de carro da Rua Aura Abranches.

Por sua vez, Maria Júdice da Costa (1870-1960) e Brunilde Júdice (1898-1979), sua filha, destacaram-se em palco, em artes diferentes. A mãe foi uma das divas maiores do canto lírico com uma carreira internacional de destaque, tendo-se celebrizado em Fedora e Aida, contando também no currículo com papéis no teatro e no cinema. Já Brunilde Júdice celebrizou-se sobretudo no teatro. Mãe e filha tiveram a oportunidade de trabalhar em conjunto: em palco, com A Casaca Encarnada, de Vitorino Braga; no cinema, no filme Fátima Milagrosa, de Rino Lupo.

Os seus nomes fazem hoje parte da freguesia de Santa Clara, que fundiu as de Charneca e Ameixoeira: a Rua Maria Júdice da Costa fica na zona da Ameixoeira; a Rua Brunilde Júdice, perto das Galinheiras.

Trabalho realizado por João Silva e Ana Rosário, na Unidade Curricular de Produção Jornalística, lecionada por Marisa Torres da Silva, do curso de Ciências da Comunicação da NOVA FCSH. Teve como base o dossier Toponímia no Feminino publicado na revista  Faces de Eva (1999-2008), cuja fonte principal foi o Gabinete de Estudos Olisiponenses. A distribuição da toponímia por freguesias, realizada naquele dossier, foi atualizada tendo em conta a nova divisão administrativa.

 

 

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