O Rossio na literatura portuguesa

O Rossio visto a partir do consultório de Carlos da Maia simbolizava a cidade moderna e cosmopolita, caracterizada pelo “ruído das carroças, os gritos errantes de pregões, o rolar dos americanos”…

Na viragem para o  século XX, o Rossio era local de comércio, lazer e conflitos sociais e políticos. Na literatura, foi também local de residência, vivência e encontros de personagens. Em Os Maias (1888), de Eça de Queirós, Carlos da Maia instalou o seu consultório “num primeiro andar” da Praça do Rossio. Do seu gabinete médico, via “as copas mesquinhas das árvores do município”, que reflectiam os arranjos recentes da praça, e “a sussurração lenta de cidade preguiçosa”.

Os cafés do Rossio são cenários frequentes da literatura e locais de encontro de intelectuais, artistas e boémios, afirmam Ana Isabel Queiroz e Daniel Alves, investigadores da FCSH/NOVA, no livro Lisboa, Lugares da Literatura (2012, editora Apenas), enquadrado no projeto de investigação Atlas das Paisagens Literárias de Portugal Continental. Em O Milagre segundo Salomé (volume II, 1975), de José Rodrigues Miguéis, Gabriel discute política e religião com o redactor do Nação Republicana, no Café Gelo, na Praça D. Pedro IV. Atrás do Café Gelo, situa-se a cervejaria Leão D’Ouro, descrita por Luís de Sttau-Monteiro, em Angústia para o Jantar (1961), como um restaurante decente e pouco dispendioso.

O Teatro Nacional D. Maria II, inaugurado em 1846, é local de grande visibilidade social: em Alves & Cª (1925), as personagens de Eça de Queirós apreciam o desempenho dos atores. José Rodrigues Miguéis salienta em A Escola do Paraíso (1960) a importância das idas àquele teatro.

O Rossio, a Avenida da Liberdade e o Chiado são os locais mais vezes mencionados nas obras que constituíram a amostra dos investigadores. Explore a aplicação Atlas das Paisagens Literárias de Portugal Continental para ler excertos literários de obras onde o Rossio e outros locais de Lisboa são referenciados.

Legenda da imagem: estação do Rossio e Hotel Avenida Palace (ant. 1919). Fotógrafo: José Bárcia. Créditos: Arquivo Fotográfico de Lisboa.

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