13 Dezembro, 2018

Olivais-Sul: um património industrial escondido

Olivais foi concelho, acolheu a primeira fábrica química à época proibida em Lisboa e foi pioneiro na revolução industrial no século XX. Estes foram alguns factos que dois investigadores do Instituto de História Contemporânea (IHC) da NOVA FCSH mencionaram na conferência “Olivais Industrial: da linha de rumo oitocentista à planificação moderna”.

As portas da Casa da Cultura de Olivais-Sul abriram-se para um final de tarde sobre o caminho que esta zona percorreu desde o séc. XVIII até aos dias de hoje. Esta foi uma das conferências organizadas pelo laboratório de História, integrado no IHC da NOVA FCSH, que visam debater temas que estejam relacionados com a freguesia. Susana Domingues, doutoranda e investigadora do IHC, refere que “nestas palestas, o que procuramos é que as pessoas estejam formadas e informadas sobre o Património no qual tropeçam todos os dias”.

A conferência começou com a intervenção de Jorge Custódio, investigador do IHC, que explicou que Olivais-Sul foi o primeiro bairro industrial de Lisboa, de 1886 a 1926. Antes tinha sido “um lugar de pastoreio e de agricultura” e fora o principal produtor de azeite para a iluminação pública em Lisboa, de 1847 até 1860. A zona foi ainda um concelho com mais de 22 mil hectares: abrangia a área do castelo de S. Jorge, Arroios e Campo Grande. Numa das áreas do concelho de Olivais, a zona de Braço de Prata, foi construída a primeira fábrica química, à época proibida em Lisboa.  “A Tinoca produzia peças de cobre, ácido sulfúrico e adubo”, indica Jorge Custódio.

A partilhar a mesa com Jorge Custódio, Deolinda Folgado, investigadora do IHC e do Instituto de História da Arte (IHA), aponta Olivais-Sul como “epicentro da revolução industrial” do século passado. Tal facto atraiu uma classe muito importante: “A nata dos arquitetos portugueses vivia aqui, por causa das fábricas de betão armado”, refere. Mas industrialização também significa poluição. Esta zona tornou-se, consequentemente, a primeira marca poluidora de Lisboa.

É então que, na década de 1930, a cidade começa a ser pensada como uma “cidade para todos”, livre de fumo. Os planos de urbanização (1948), planificação e modernização entram em marcha e, a pouco e pouco, assiste-se a uma “desindustrialização planeada”. Começou em 1973 e teve mais duas fases: a da Expo 98, que teve um papel importante na revitalização da zona ribeirinha de Lisboa oriental; e a terceira, que atualmente se verifica.

Susana Domingues conta que o importante destas conferências, organizadas desde o início de 1918, é “encontrar um tema que diga respeito à freguesia, aos fregueses e que envolva matérias que são alvos de estudo dentro da Academia, dentro do IHC”. A responsável  pela iniciativa explica que o laboratório de História tem acordos com concelhos limítrofes, como Amadora – desde 2016 -, e com a freguesia de Benfica, onde serão organizadas conferências com o mesmo objetivo. Na intervenção em escolas, principalmente com alunos do ensino secundário, são utilizadas outras metodologias.

No final desta conferência, que decorreu a 27 de setembro e que contou com membros do executivo local, muitos participantes ficaram surpresos por descobrir que o património pelo qual passam todos os dias tem, de facto, muito significado.

Fotografia: Terreno que deu origem ao novo bairro de Olivais (arquivo fotográfico de Lisboa).

 

 

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Unidade curricular do mestrado em História da Arte, aberta a alunos externos. [Saiba +]

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