20 Outubro, 2018

Os 100 anos que mudaram a saúde e a face urbana de Lisboa – parte I

Entre 1733 e 1833, imperou em Lisboa uma estratégia higienista, apenas interrompida pelo Terramoto de 1755. O caso era sério: a cidade era assolada por todo o tipo de surtos epidémicos, que se multiplicavam com facilidade.

Antes da catástrofe de 1755, Lisboa era uma das cidades mais populosas e visitadas da Europa, com uma população estimada entre os 200 mil e os 250 mil habitantes. Uma das consequências desta dinâmica populacional era a saúde pública: a cidade estava exposta a todo o tipo de doenças epidémicas trazidas por quem chegava.

Era bela ao longe, mas “muitíssimo suja, e até perigosa, quando vista de perto”, afirma Adélia Caldas Carreira, que analisou na sua tese de doutoramento em História da Arte (2012) da NOVA FCSH a evolução da malha urbana da cidade entre 1731 e 1833.

A impossibilidade de combater as epidemias, muitas delas afetando a própria Corte, estava associada a dois fatores: ruas “estreitas, tortuosas e pouco ventiladas”, características do tecido urbano medieval; meios sanitários insuficientes e métodos terapêuticos “ineficazes e absurdos”, fruto do limitado conhecimento médico da época, salienta a investigadora.

No campo da medicina, a primeira metade do século XVIII ficou marcada por textos e tratados higienistas, dois deles da autoria de médicos portugueses: a Anchora Medicinal para preservar a vida com saúde (1731), de Fonseca Henriques, e o Tratado da conservação da Saúde dos Povos (1756) de Ribeiro Sanches. Ambos visavam a purificação do ar e a preservação da saúde e foram bem acolhidos pelas elites.

Foi D. João V quem, influenciado pelo pensamento higienista europeu, implementou um dos programas de intervenção urbanística mais importantes, refere a investigadora. Determinou um novo sistema de limpeza e saneamento urbanos para evitar os maus cheiros e os esgotos a céu aberto, o alargamento das ruas e a construção do Aqueduto das Águas Livres, para abastecer a cidade de água que vinha de Belas.

Nesta Lisboa higienizada, havia chafarizes, rede de esgotos e um novo hospital público.

No entanto, com o terramoto de 1755, muitas destas intervenções viriam a ser interrompidas ou anuladas e a cidade em reconstrução enfrentaria outros problemas…

Imagem: Terreiro do Paço. Tinta-da-China com aguada sobre papel. Atribuído a Francisco Zuzarte, possivelmente em 1740.

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Uma nova forma de conhecer Lisboa
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APRENDER SOBRE LISBOA NA NOVA FCSH 2017/2018

Tempos e cidades (1.º semestre)
Unidade curricular do mestrado em Estudos Urbanos, aberta a alunos externos. [Saiba +]

História de Lisboa Medieval (1.º semestre)
Unidade curricular do mestrado em História, aberta a alunos externos. [Saiba +]

A cidade na cultura oitocentista (2.º semestre)
Unidade curricular do mestrado em História da Arte, aberta a alunos externos. [Saiba +]

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