Projetos de investigação à lupa #1: Arquivo Sonoro Digital do Museu do Fado

É o primeiro repositório de fonogramas históricos disponível online. Resultante de uma parceria entre o Instituto de Etnomusicologia da NOVA FCSH e o Museu do Fado, em Lisboa, dá acesso integral a três mil registos de fados gravados desde o início do século XX.

No panorama internacional, é um dos poucos repositórios de acesso integral a fonogramas comerciais históricos. O Arquivo Sonoro Digital do Museu do Fado permite ouvir fonogramas gravados entre 1900 e 1950, que foram devidamente tratados e digitalizados a partir da coleção Bruce Bastin, adquirida pelo Estado em 2009.

De repertórios raros de Júlia Florista e Maria Vitória a gravações de Artur Paredes e Petroline, é possível pesquisar por intérprete ou fado. Enquanto se ouve a gravação, surge a imagem do vinil original, o que só por si é já uma viagem no tempo.

É também a primeira vez que uma instituição disponibiliza em Portugal e em acesso livre a sua coleção fonográfica.

Reunir os fonogramas não foi fácil – na primeira metade do século XX, os discos em Portugal eram gravados por técnicos que vinham do estrangeiro e que depois levavam os originais consigo.

Este projeto de investigação colaborativa, apresentado pela primeira vez a 17 de junho de 2016, juntou o Museu do Fado e o INET-md –  Instituto de Etnomusicologia da NOVA FCSH. O coordenador técnico foi Pedro Félix, investigador do INET-md.

A parceria incluiu a identificação de acervos relevantes – mais de 30 mil até ao momento –, a digitalização dos respetivos suportes, dos discos de vinil a 33 rotações a cassetes ou fita-magnética, e a investigação sobre arquivística do som e estudo do som.  Foi desenvolvida no âmbito da inscrição do Fado na Lista Representativa do Património Cultural Imaterial da Humanidade.

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