Projetos de investigação à lupa #2: os flâneurs de Lisboa

Errante, observador ou “espetador urbano moderno”, como descreveu Walter Benjamin o flâneur.  A Procur.arte, em associação com o Instituto de História da Arte da NOVA FCSH e mais 20 entidades de 11 países, desafiou fotógrafos a repensarem o conceito de flâneur na cidade através das suas objetivas.

Em “Flâneur – Novas Narrativas Urbanas”, artistas de todo o mundo produziram, durante dois anos, novas narrativas visuais sobre o território urbano, tendo como ponto de partida o conceito de flâneur e a cidade enquanto espaço em constante mutação. O projeto em rede – que juntou entidades de 11 países incluindo o IHA – Instituto de História da Arte da NOVA FCSH – interveio em 16 cidades, entre as quais Lisboa, em 2015.

O resultado foi um olhar da fotografia contemporânea sobre as cidades. Fotógrafos locais e convidados realizaram nos locais residências artísticas de forma a replicar a cidade e a relação dos que deambulam por ela e a experienciam. As fotografias foram expostas simbioticamente em praças, jardins e ruas da própria cidade, isto é, no espaço público, em vez de ocuparem as paredes de museus ou galerias.

Lisboa foi “sentida” por cinco fotógrafos – António Júlio Fuarte, Augusto Brázio, Jens Masmann, Sonia Hamza e Virgílio Ferreira – cujas residências artísticas decorreram no verão de 2015. A exposição no Príncipe Real juntou os trabalhos de Jens Masmann e Sonia Hamza, em setembro de 2015. As intervenções de Augusto Brázio e Martina Clearly estiveram expostas no Largo do Intendente, entre setembro e outubro de 2015.

Além das exposições e instalações de fotografia, o projeto, coordenado por Nuno Ricou Salgado e Margarida Brito Alves, investigadora do IHA, incluiu ateliers dirigidos à população local, workshops, masterclasses e uma conferência internacional, que decorreu no São Luiz nos dias 12 e 13 de maio de 2015.

O projeto foi financiado pela UNESCO e pela Comissão Europeia, através do programa Creative Europe.

Imagem: exposição de Augusto Brázio, com curadoria de Nuno Ricou Salgado, em Lisboa.

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