13 Novembro, 2018

Projetos de investigação à lupa #3: o papel tem uma identidade e chama-se marca de água

A primeira marca de água surgiu em 1282, em Itália. Desde então, os fabricantes do papel começaram a usá-la como forma de identificação, rica em elementos simbólicos. Um projeto de investigação do CHAM identifica marcas de água dos documentos dos séculos XVI e XVII existentes no arquivo da igreja de Nossa Senhora do Loreto, em Lisboa.

Parece ser uma simples forma de identificação da unidade papeleira, mas o estudo das marcas de água fornece dados importantes sobre os fabricantes, os moinhos, as fábricas, a história do papel e, em última instância, sobre a história económica de um país. A interpretação dos seus símbolos permite também conhecer o contexto sócio-cultural e a mentalidade dos seus autores.

Foi esse o mote do projeto de investigação, integrado no CHAM – Centro de Humanidades da NOVA FCSH, que visa recolher as marcas de água do acervo documental da Igreja de Nossa Senhora do Loreto, dos séculos XVI e XVII. Iniciado em 2016, tem o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian e reúne parcerias com a Cátedra de Estudos Sefarditas “Alberto Benveniste” e com a Igreja Italiana de Nossa Senhora do Loreto. É coordenado por Nunziatella Alessandrini, investigadora do CHAM.

O projeto pretende também colmatar a ausência de estudos em Portugal sobre as marcas de água no papel, dando continuidade às perspetivas lançadas pela investigação de Maria José Santos, que integra a equipa, juntamente com António Henrique e Castro, Maria Manuel Lares e Sebastião Santana.

No passado, a recolha de marcas de água em livros ou documentos avulsos era feita através de decalque direto. Este projeto inova ao utilizar novos recursos, como o uso da fotografia digital com luz transmitida ou equipamento de fibra ótica, métodos mais rigorosos e menos invasivos.

Imagem: Marca de Água de papel almaço. 2.ª qualidade. Real Fábrica da Lapa. Museu do Papel.

Escrito por
FCSH +LISBOA
Ver todos os artigos
Deixe uma resposta

Escrito por FCSH +LISBOA

O PROJETO

Uma nova forma de conhecer Lisboa
+ inovadora + visual e + interativa
a partir do que se investiga na NOVA FCSH. [Saiba +]

APRENDER SOBRE LISBOA NA NOVA FCSH 2017/2018

Tempos e cidades (1.º semestre)
Unidade curricular do mestrado em Estudos Urbanos, aberta a alunos externos. [Saiba +]

História de Lisboa Medieval (1.º semestre)
Unidade curricular do mestrado em História, aberta a alunos externos. [Saiba +]

A cidade na cultura oitocentista (2.º semestre)
Unidade curricular do mestrado em História da Arte, aberta a alunos externos. [Saiba +]

Unidades de Investigação da FCSH/NOVA

Clique aqui para aceder às 16 unidades de investigação da FCSH/NOVA.

FCSH +LISBOA NAS REDES