16 Setembro, 2019

Próxima paragem: Estação de Santa Apolónia

No Cais dos Soldados edificou-se uma das estações mais conhecidas do país. Lisboa iria, finalmente, ligar-se à Europa sob carris e, secundariamente, ligar a área à sua volta. Conheça a história desta estação de comboios que, algumas décadas depois, iria “rivalizar” com a estação do Rossio.

Cais dos Soldados. Era assim que era denominado o sítio onde atualmente se situa a estação de comboios de Santa Apolónia. Foi a primeira estação central de Lisboa, a ligação sob carris de Portugal para a Europa. No século XIX, “Lisboa passa a estar mais próxima de Madrid ou Paris do que de algumas partes do Reino”, escreve Ângela Salgueiro, investigadora do Instituto de História Contemporânea (IHC) da NOVA FCSH, na sua tese de mestrado em História (2008) sobre a Companhia Real de Caminhos de Ferro Portugueses, de 1859 a 1891.

Esta empresa, criada em 1860 “a partir da concessão das linhas do Leste e do Norte a D. José de Salamanca”, foi a “primeira companhia ferroviária bem sucedida em Portugal”, explica a investigadora. A estação de Santa Apolónia, a “estação principal do Caminho de Ferro do Leste e Norte”, foi inaugurada a 1 de maio de 1865, uma data que iria ser relembrada mais tarde, mas por outros motivos. Lisboa passou a deter, oficialmente, uma estação. As obras, contudo, só terminaram a 29 de julho desse ano.

Mas porquê atribuir o nome de Santa Apolónia à estação? Ao contrário do que se possa pensar, a estação recebeu esse nome por estar próxima do extinto convento de Santa Apolónia, e não por ter sido erguida no mesmo local do edifício. O projeto LX Conventos, que teve como investigadora principal Raquel Henriques da Silva do Instituto de História da Arte (IHA) da NOVA FCSH, assinalou este edifício como um dos conventos extintos no século XIX .

Segundo o website do projeto, o edifício foi adquirido pela Companhia Real dos Caminhos de Ferro e funcionou, até 1865, como uma pequena estação de passageiros e mercadorias. Nesse mesmo ano, era então inaugurada a estação de Santa Apolónia, construída à beira do rio Tejo.

Próxima paragem: as ligações da cidade para a periferia

“A ideia de uma linha de cintura urbana, que ligasse a estação de Santa Apolónia a Benfica, apareceu formulada como uma necessidade real logo em 1884”, escreve Ângela Salgueiro. A Junta Consultiva das Obras Públicas propôs e a Companhia Real de Caminhos de Ferro Portugueses aprovou, pois era um ramal que facultava mais poder à empresa “da rede ferroviária que servia a capital portuguesa”.

Além disso, este ramal permitia a ligação da linha de Leste à linha de Lisboa a Sintra e a Torres Vedras, o que iria aumentar a utilização deste tipo de transporte na área à volta da cidade. O ramal ficou concluído em 1888, depois do alvará ser aprovado em 1886, e o projeto foi dirigido por Ressano Garcia, o engenheiro também responsável por outras obras na cidade, como é o caso do bairro de Campo de Ourique.

No mesmo ano, em 1888, foi aprovado o ramal que ligava Lisboa à vila de Cascais a partir de Santa Apolónia. Estas ligações possibilitaram que o centro da cidade estivesse mais acessível aos habitantes da periferia, principalmente aos operários fabris.

A construção deste ramal, refere a investigadora, foi dividido entre dois empreiteiros: a empresa Hersent,  à qual “caberia a seção entre o caneiro de Alcântara e a Torre de Belém” e a empresa Duparchy e Bartissol, que iria construir a nova estação central de Lisboa e fazer a ligação entre o Rossio, Campolide, Torre de Belém e entre esta última a Cascais.

A nova estação do Rossio, na praça dos Restauradores, iria “rivalizar” com a de Santa Apolónia, com a sua magnificência e edificação neomanuelina. O túnel  que liga esta estação a Campolide ficou concluído em 1889 e a estação em 1890. Porém, o ramal de ligação à vila de Cascais só iria ficar pronto cinco anos depois. Nesse mesmo ano, o troço entre o Cais do Sodré e Alcântara-Mar começava a ser explorado, por onde iria começar a viagem até à vila de Cascais.

Fotografia: Santa Apolónia, 1939. Arquivo Fotográfico de Lisboa

Escrito por
Ana Sofia Paiva
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Tempos e cidades (1.º semestre)
Unidade curricular do mestrado em Estudos Urbanos, aberta a alunos externos. [Saiba +]

História de Lisboa Medieval (1.º semestre)
Unidade curricular do mestrado em História, aberta a alunos externos. [Saiba +]

A cidade na cultura oitocentista (2.º semestre)
Unidade curricular do mestrado em História da Arte, aberta a alunos externos. [Saiba +]

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