Sufragistas com nome em Caselas e Carnide

Carolina Beatriz Ângelo, Ana de Castro Osório, Maria Veleda e Adelaide Cabete deram a cara pelos direitos das mulheres. Inspiradas pelos ideais republicanos, criaram a Liga Republicana das Mulheres Portuguesas em 1908. Três delas são lembradas em ruas recentes da freguesia de Carnide. 

Em 1870, Antero de Quental escrevia no jornal República sobre o pensamento republicano, que definia como fundado na liberdade, na riqueza e na igualdade “para todos”. A implantação da República, 40 anos depois, representava uma esperança de viragem no papel da mulher. A esta foram garantidos alguns direitos, mas continuou afastada das urnas.

Neste contexto, o movimento sufragista ganhou força e a Liga Republicana das Mulheres Portuguesas, que tinha sido fundada em 1908, estabeleceu como principal objetivo estender o direito de voto ao sexo feminino.

O primeiro passo foi dado por Carolina Beatriz Ângelo (1878-1911), que hoje dá o nome a uma rua na freguesia de Belém (a antiga Rua 1, no bairro de Caselas). Carolina Beatriz Ângelo encontrou uma lacuna na legislação eleitoral e conseguiu votar nas eleições constituintes de 1911. Foi a primeira mulher a votar em Portugal, e continuou a ser a única até 1968,.

À figura de sufragista Carolina Beatriz Ângelo juntam-se as de Maria Veleda (1871-1955), Ana de Castro Osório (1872-1935) e Adelaide Cabete (1867-1935), as três com nomes na urbanização da Quinta da Luz, na freguesia de Carnide. Foram as precursoras de um movimento que não perdeu a força e que conseguiu mudar permanentemente a ideia de democracia em Portugal.

Maria Veleda foi sócia fundadora da Liga Republicana das Mulheres Portuguesas, chegando a presidente em 1911. Diretora da revista A Mulher e a Criança, integrou o Grupo das Treze, uma estrutura da Liga Republicana que procurava combater a ignorância e as superstições que afectavam as mulheres. Maçónica desde 1907, publicou as suas memórias no jornal República em 1950.

Ana de Castro Osório proferiu, em 1909, uma conferência de propaganda da Lei do Divórcio e fundou a Associação de Propaganda Feminista. Outra das suas conferências teve como título  “a falta de educação cívica da mulher”.

Adelaide Cabete foi fundadora do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas, em 1914, ramo português da International Council of Women. Organizou o I Congresso Feminista e de Educação em Lisboa, em 1925, e o segundo, em 1928.

(Inserir mapa com as ruas)

 

Trabalho realizado por Juliana Patrício e Mariana Caeiro na Unidade Curricular de Produção Jornalística, lecionada por Marisa Torres da Silva, do curso de Ciências da Comunicação da NOVA FCSH. Teve como base o dossier Toponímia no Feminino publicado na revista  Faces de Eva (1999-2008), cuja fonte principal foi o Gabinete de Estudos Olisiponenses. A distribuição da toponímia por freguesias, realizada naquele dossier, foi atualizada tendo em conta a nova divisão administrativa, de 2012.

 

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