Subindo as Avenidas Novas

O segundo percurso pelas Avenidas Novas leva-nos por memórias de conventos, visionários da arte e bairros com a cor do céu.

No primeiro roteiro pelas Avenidas Novas, que começa na Maternidade Alfredo da Costa e termina no mural da NOVA FCSH, o eixo central é a Avenida da República, rasgada por Prémios Valmor projetados por arquitetos da Arte Nova, por excelência, como Norte Júnior, Álvaro Machado, Pardal Monteiro ou Ventura Terra.

O segundo roteiro é feito de memórias que cruzam olhares das artes, das ciências sociais e humanas, com base em contributos de vários investigadores da NOVA FCSH.  Clique nos links presentes em cada segmento de texto para ir mais longe no espaço e no tempo.

Mural da NOVA FCSH

Pintura do muro

Este é o ponto de chegada do roteiro “Descendo as Avenidas Novas” – o mural da NOVA FCSH, na Avenida de Berna, 26. Se já o fez, caminhe em direção ao segundo marco. Se não, detenha-se neste símbolo da liberdade, objeto de intervenção artística em 2014, por ocasião do 40.º aniversário do 25 de abril. O mural, com 15 metros de comprimento, foi feito por artistas da plataforma Underdogs, co-fundada por Vhils.

 

Convento da Nossa Senhora das Dores

Continue pela Avenida de Berna em direção à Praça de Espanha. O muro que agora delimita o Hospital Curry Cabral já contornou, durante os séculos XVIII e XIX, o Convento da Nossa Senhora das Dores, também conhecido como Convento do Rego ou das Convertidas da Nossa Senhora do Rosário. Fundado depois de 1768, na Rua da Beneficência, 8, acabaria por ser demolido nos finais do século XIX, depois de decretada a extinção das ordens religiosas em 1834.

 

Fundação, Jardins e Museu Calouste Gulbenkian

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Ainda em direção à Praça de Espanha, encontra do seu lado esquerdo a Fundação e o Museu Calouste Gulbenkian. Atravesse e passeie pelos jardins e visite o museu, inaugurado em 1969 para acolher a coleção de arte reunida por Calouste Sarkis Gulbenkian (1869-1955), engenheiro e empresário arménio otomano naturalizado britânico. Lisboa teria sido apenas uma escala numa viagem a Nova Iorque, em 1942, caso Calouste Gulbenkian não tivesse adoecido. Agradado com o clima de paz da capital – em plena II Guerra Mundial –, acabou por se instalar definitivamente em Lisboa até 1955. O testamento, datado de 1953, criou a fundação com o seu nome, que ficou herdeira do remanescente da sua fortuna.

 

Arco de São Bento, na Praça de Espanha

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Se, entretanto, visitou os jardins da Gulbenkian, retorne à Avenida de Berna e siga até à rotunda da Praça de Espanha (antiga “Praça Palhavã”). No centro, encontra um arco monumental, “inesperado” e “descontextualizado”, recorda Raquel Henriques da Silva, professora e investigadora da NOVA FCSH, neste artigo (2006). Foi construído em 1758 sobre a Rua de São Bento (daí o seu nome), integrado na Galeria da Esperança do Aqueduto das Águas Livres, mas acabou por ser desmontado em 1938, em consequência das obras de remodelação em frente do Palácio de São Bento. O arco esteve primeiro nos jardins do Palácio da Ajuda; em 1998, foi transferido para a Praça de Espanha, onde permanece.

 

Embaixada de Espanha (antigo “Palácio dos Meninos de Palhavã”)

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Atravesse a rotunda em direção ao edifício cor-de-rosa, uma das marcas mais antigas das Avenidas Novas, que fecha a Avenida de Berna e abre a de António Augusto de Aguiar. Este palácio seiscentista foi mandado edificar pelo 2.º Conde de Sarzedas, mas ficou conhecido como “Palácio dos Meninos de Palhavã” por lá terem residido, no século XVIII, três filhos bastardos do rei D. João V (1706-1750). É residência do embaixador de Espanha desde 1918.

 

Teatro Aberto e Comuna Teatro de Pesquisa

Da Praça de Espanha, junto à Embaixada de Espanha, suba pela ciclovia, uma rua paralela à Avenida Calouste Gulbenkian e depois pela Rua Armando Cortês. Vai passar pelo Teatro Aberto, fundado em 1982 por João Lourenço, Irene Cruz, Francisco Pestana e Melim Teixeira, um dos primeiros grupos de teatro independente em Portugal. Cerca de 400 metros depois, do outro lado da Avenida Calouste Gulbenkian, avistará a Comuna – Teatro de Pesquisa, que nasceu em 1972, pela criatividade de João Mota.

 

Mesquita Central de Lisboa

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Em frente ao Teatro Aberto, na Avenida Ramalho Ortigão, encontra as traseiras da Mesquita Central de Lisboa, fundada em 1985 e considerada a principal mesquita da comunidade islâmica portuguesa. Foi projetada pelos arquitetos António Braga e João Paulo Conceição e diferencia-se pelo traçado modernista. O espaço é favorável à troca de experiências entre as várias identidades muçulmanas (guineenses, marroquinos, bangladeshis, paquistaneses ou árabes). Esta mesquita destaca-se, aliás, pela forma como tem acomodado a diversidade étnica e as diferentes correntes religiosas e movimentos muçulmanos, explica Filomena Batoréu na sua tese em Antropologia da NOVA FCSH.

Contorne a mesquita para admirar a sua fachada frontal.

 

Avenida Ressano Garcia

 

Se está de frente para a fachada da Mesquita Central de Lisboa, siga para a direita em direção à Avenida Ressano Garcia, arborizada e eixo central do Bairro Azul. Deve o seu nome, desde 1929, ao engenheiro responsável pela expansão da cidade pelas Avenidas Novas. Antes desta, outra avenida notável tinha tido o seu nome: a Avenida da República.

 

Bairro Azul

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Caminhando pela Avenida Ressano Garcia, entre edifícios de habitação, na maioria art déco e modernista, está no centro do Bairro Azul, que se espalha por esta e outras quatro artérias: Rua Fialho de Almeida, Rua Ramalho Ortigão, Rua Marquês da Fronteira e Avenida António Augusto Aguiar. Edificado na década de 1930, foi o primeiro bairro a ser classificado como conjunto urbano de interesse municipal. Durante os primeiros 20 anos, o bairro era marcado ainda pela sua vida rural, recordada em testemunhos dos seus moradores, reunidos no projeto “Memórias para todos”.

 

Palácio Mendonça

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Quando chegar ao final da Avenida Ressano Garcia, de frente para os armazéns El Corte Inglés, vire à direita e suba cerca de 500 metros pela Rua Marquês de Fronteira até ver do seu lado direito o Palácio Mendonça, nos números 18-28. Foi projetado entre 1900 e 1902 pelo arquiteto Ventura Terra para Henrique José Monteiro de Mendonça, roceiro em São Tomé. Em 1909, foi reconhecido com o Prémio Valmor.

 

Jardim Amália Rodrigues

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Atravesse a Rua Marquês de Fronteira em direção ao jardim Amália Rodrigues, em homenagem a uma das fadistas e artistas que escreveram sobre Lisboa ou a cantaram. Este jardim faz parte do Corredor Verde, que une o Parque Eduardo VII a Monsanto e está num dos pontos altos da cidade. Aproveite para descansar um pouco, para usufruir da vista, a sul, e para apreciar duas esculturas localizadas neste jardim: “Maternidade”, de Fernando Botero, e “O Segredo” de António Lagoa Henriques.

 

Palácio de Vilalva

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Regresse à Rua Marquês da Fronteira e desça-a em direção à Avenida António Augusto de Aguiar. Atravesse-a e caminhe na direção oposta à Praça de Espanha, até chegar à Rua Carlos Testa. Desça-a em direção ao Palácio Vilalva, atual quartel-general do Governo Militar de Lisboa, no Largo de São Sebastião da Pedreira.  Este palácio foi mandado construir entre 1859 e 1866 por José Maria Eugénio de Almeida. É também reconhecido pelos seus parquets, fornecidos pelo célebre belga Pierre-Joseph Godefroy.

 

O final do roteiro ou o início de outro

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A partir deste ponto, pode encerrar o roteiro ou iniciar outro: seguindo pelas traseiras do Palácio, entrando novamente nos jardins da Fundação Calouste Gulbenkian e na Avenida de Berna, chega ao ponto de partida deste roteiro. Caso não tenha feito o primeiro roteiro das Avenidas Novas – “Descendo as Avenidas Novas” –, pode seguir em direção à Maternidade Alfredo da Costa, subindo pela Rua Latino Coelho. O berço da natalidade marca também o início desse percurso que o irá levar a um desfile de Prémios Valmor e memórias do início do século XX.

 

4 comentários em “Subindo as Avenidas Novas

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