16 Setembro, 2019

Torre de Belém, símbolo arquitetónico da defesa da cidade

Sabia que a designação oficial da Torre de Belém é Castelo de São Vicente a par de Belém? Demorou seis anos a ser construída e os seus traços demonstram elementos diferentes de arquitetura. À beira rio plantada, a Torre de Belém é um monumento incontornável de inovação e defesa de Lisboa nos séculos XV e XVI.

O desejo de uma fortificação capaz de proteger Lisboa no lado do Restelo foi assumido por D. João II mas apenas concretizado no reinado de D. Manuel I. Depois de alguns edifícios terem sido construídos a mando de D. João II, como a torre de São Sebastião da Caparica, por exemplo, em 1480, era necessária uma estrutura de defesa na outra margem do rio para proteger a cidade de Lisboa.

Com a morte de D. João II, esta estrutura ficou suspensa no tempo. Apenas em 1514 é que começou a ser construída aquela que viria a ser designada, oficialmente, como o Castelo de São Vicente a par de Belém, por D. Manuel I. A obra foi terminada em 1520 mas apenas inaugurada em 1521. O objetivo desta construção foi não só a defesa da cidade por via marítima, mas também a proteção do Mosteiro dos Jerónimos, então em construção.

A Torre de Belém foi projetada, na maioria da sua estrutura, por Francisco de Arruda, em 1516. “Este monumento em toda a sua beleza, originalidade e inovação é como que uma transformação em pedra de uma nau que avança pelo rio em direção ao mar”, caracterizam André Teixeira, professor no departamento de História e investigador no Centro de Humanidades (CHAM) da NOVA FCSH, e José Manuel Garcia, do Gabinete de Estudos Olissiponenses da Câmara Municipal de Lisboa (CML), no artigo que pertence ao catálogo “Lisboa 1415 Ceuta – História de Duas cidades”. Este inventário resultou do projeto que assinalou os 600 anos da chegada portuguesa ao território africano, em 2015.

Este edifício “testemunho de arquitetura militar de transição” congrega elementos manuelinos e medievais, principalmente na torre, com 30 metros de altura. Segundo os investigadores, Francisco Arruda inspirou-se nas torres medievais como as de Estremoz e de Beja, bem como nos pormenores defensivos com influência italiana – em estrela -, que são visíveis nas fortificações de Tomar, Alentejo e até de Marrocos. À beira rio, os 40 metros de comprimento estavam dentro do próprio rio, a assegurar a segurança da cidade.

A conquista de Ceuta, em 1415, marcou a viragem de uma cidade voltada para as muralhas para uma outra que olhava o rio como uma oportunidade de descobrir o mundo. A época dos descobrimentos tornou a cidade mais populosa, com perto de 60 mil habitantes em 1527 e um dos maiores centros de comércio em todo o mundo. Os edifícios militares construídos na transição do século XV para o século XVI ajudaram a adequá-los aos “novos desafios da arte da guerra”, apontam os investigadores.

Mais tarde, as estruturas de defesa de Lisboa iriam voltar-se novamente para dentro, para a defesa das terras, em 1580. Estas construções “foram fruto dos progressos da engenharia militar e durante séculos tiveram um papel dissuasor na defesa da capital portuguesa, mantendo a integridade da cidade e, com ela, a independência portuguesa”.

Escrito por
Ana Sofia Paiva
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Tempos e cidades (1.º semestre)
Unidade curricular do mestrado em Estudos Urbanos, aberta a alunos externos. [Saiba +]

História de Lisboa Medieval (1.º semestre)
Unidade curricular do mestrado em História, aberta a alunos externos. [Saiba +]

A cidade na cultura oitocentista (2.º semestre)
Unidade curricular do mestrado em História da Arte, aberta a alunos externos. [Saiba +]

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