15 Outubro, 2018

Maria Lamas: uma vida de luta pelos direitos das mulheres

Nasceu no período da monarquia, viveu durante a Primeira República e o Estado Novo e morreu depois do 25 de abril, em 1983. Foi uma personalidade marcante pelo seu papel enquanto ativista a favor das causas feministas e dá nome a rua perto das Portas de Benfica.

O seu nome completo era Maria da Conceição Vassalo e Silva da Cunha Lamas. Nasceu em 1893, em Torres Novas, e recebeu uma educação tipicamente tradicional: aprendeu Português, Francês, Lavoures e Piano. Casada aos 18 anos, aos 25 encontrava-se divorciada e com duas filhas. Foi então que em Lisboa entrou em contacto com o mundo do jornalismo.

Em 1928 entrou para o jornal O Século, onde dirigiu a revista Modas e Bordados, dedicada a donas de casa mas com uma agenda de conteúdos que ultrapassava a esfera doméstica. Nessa publicação, utilizava o pseudónimo Tia Filomena para responder a cartas das leitoras e incentivar a sua emancipação económica baseada na educação.

Além de jornalista, foi escritora e tradutora, tendo-se destacado na luta pelos direitos e igualdade das mulheres, assim como pela defesa da paz. Presidente do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas, em 1945, foi afastada da revista que dirigia em 1947.

O primeiro livro de Maria Lamas, Os Humildes, foi publicado em 1923. As Mulheres do Meu País (1948) e A Mulher no Mundo (1950) são algumas das muitas obras onde tratou as condições de vida das mulheres portuguesas, sobretudo de condição humilde. Ao longo da sua vida, promoveu e organizou múltiplas exposições e conferências sobre esta temática.

O seu nome foi inscrito na toponímia de Lisboa em 1984. A Rua Maria Lamas parte da Rua C do Bairro das Pedralvas e termina na Calçada do Tojal.

Trabalho realizado por Sofia Baptista, na Unidade Curricular de Produção Jornalística, lecionada por Marisa Torres da Silva, do curso de Ciências da Comunicação da NOVA FCSH. Teve como base o dossier Toponímia no Feminino publicado na revista  Faces de Eva (1999-2008), cuja fonte principal foi o Gabinete de Estudos Olisiponenses. A distribuição da toponímia por freguesias, realizada naquele dossier, foi atualizada tendo em conta a nova divisão administrativa, de 2012.

 

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1 comentário
  • Conheci a Maria Lamas, que funcionava no exílio um pouco como uma avó nossa, pois já tinha idade e sabedoria para isso (na altura, ela tinha 70 anos e eu 23…), no mesmo dia em que cheguei a Paris fugido de Portugal (14 de Novembro de 1963) e fui em romaria pedir-lhe conforto moral e alguma ajuda para me orientar localmente, tendo ficado a viver no Hotel em face do dela na Rue Cujas, à esquerda quem sobe o Boulevard St. Michel, quase a chegar à Praça do Luxemburgo. Durante anos mantive contacto com ela mas não soube quando decidiu regressar a Portugal e já não voltei a vê-la. Neste preciso momento, por coincidência, acabo de escrever um artigo sobre o seu livro «Mulheres do meu país» (1948-1950) como um magnífico «contra-discurso» textual e fotográfico a fim de desmontar a propaganda do regime de então.

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