Maria Lamas: uma vida de luta pelos direitos das mulheres

Nasceu no período da monarquia, viveu durante a Primeira República e o Estado Novo e morreu depois do 25 de abril, em 1983. Foi uma personalidade marcante pelo seu papel enquanto ativista a favor das causas feministas e dá nome a rua perto das Portas de Benfica.

O seu nome completo era Maria da Conceição Vassalo e Silva da Cunha Lamas. Nasceu em 1893, em Torres Novas, e recebeu uma educação tipicamente tradicional: aprendeu Português, Francês, Lavoures e Piano. Casada aos 18 anos, aos 25 encontrava-se divorciada e com duas filhas. Foi então que em Lisboa entrou em contacto com o mundo do jornalismo.

Em 1928 entrou para o jornal O Século, onde dirigiu a revista Modas e Bordados, dedicada a donas de casa mas com uma agenda de conteúdos que ultrapassava a esfera doméstica. Nessa publicação, utilizava o pseudónimo Tia Filomena para responder a cartas das leitoras e incentivar a sua emancipação económica baseada na educação.

Além de jornalista, foi escritora e tradutora, tendo-se destacado na luta pelos direitos e igualdade das mulheres, assim como pela defesa da paz. Presidente do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas, em 1945, foi afastada da revista que dirigia em 1947.

O primeiro livro de Maria Lamas, Os Humildes, foi publicado em 1923. As Mulheres do Meu País (1948) e A Mulher no Mundo (1950) são algumas das muitas obras onde tratou as condições de vida das mulheres portuguesas, sobretudo de condição humilde. Ao longo da sua vida, promoveu e organizou múltiplas exposições e conferências sobre esta temática.

O seu nome foi inscrito na toponímia de Lisboa em 1984. A Rua Maria Lamas parte da Rua C do Bairro das Pedralvas e termina na Calçada do Tojal.

Trabalho realizado na Unidade Curricular de Produção Jornalística, do curso de Ciências da Comunicação da NOVA FCSH. Teve como base o dossier Toponímia no Feminino publicado na revista  Faces de Eva (1999-2008), cuja fonte principal foi o Gabinete de Estudos Olisiponenses. A distribuição da toponímia por freguesias, realizada naquele dossier, foi atualizada tendo em conta a nova divisão administrativa, de 2012.

 

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Um comentário em “Maria Lamas: uma vida de luta pelos direitos das mulheres

  • Conheci a Maria Lamas, que funcionava no exílio um pouco como uma avó nossa, pois já tinha idade e sabedoria para isso (na altura, ela tinha 70 anos e eu 23…), no mesmo dia em que cheguei a Paris fugido de Portugal (14 de Novembro de 1963) e fui em romaria pedir-lhe conforto moral e alguma ajuda para me orientar localmente, tendo ficado a viver no Hotel em face do dela na Rue Cujas, à esquerda quem sobe o Boulevard St. Michel, quase a chegar à Praça do Luxemburgo. Durante anos mantive contacto com ela mas não soube quando decidiu regressar a Portugal e já não voltei a vê-la. Neste preciso momento, por coincidência, acabo de escrever um artigo sobre o seu livro «Mulheres do meu país» (1948-1950) como um magnífico «contra-discurso» textual e fotográfico a fim de desmontar a propaganda do regime de então.

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