Catedrais do cinema

O FCSH + Lisboa criou um percurso pelos cinemas que marcaram o apogeu da sétima arte na cidade: uma época em que ir ao cinema era muito mais do que ver um filme.

O livro “Os cinemas de Lisboa: um fenómeno urbano do século XX”, de Margarida Acciaiuoli, do Departamento de História de Arte, inspirou o FCSH +Lisboa a desenhar um roteiro por alguns dos mais importantes cinemas de Lisboa da primeira metade do século XIX.

São Luiz Cine

O percurso começa na Rua António Maria Cardoso, no Teatro São Luiz, projetado pelo arquiteto francês Louis Reynaud,  que lhe conferiu o caráter cosmpolita. Passou a sala de cinema – São Luiz Cine – a 7 de Abril de 1928, depois de algumas sessões esporádicas. Metropolis, de Fritz Lang, foi o primeiro filme projetado neste novo cinema, que rapidamente se adaptou às exigências do sonoro. Hoje, acolhe espetáculos de várias companhias.

 

Éden-Teatro

A cerca de 12 minutos a pé do São Luiz, descendo a Rua Garrett e a Rua do Carmo, fica a Praça dos Restauradores. Virados para a Avenida da Liberdade, temos à esquerda o Éden-Teatro, projetado pelo arquiteto modernista Cassiano Branco, que começou a funcionar como cinema a partir de 1938. O novo edifício, reconstruído nas cinzas do velho Éden-Teatro, foi na altura mal recebido devido à sua fachada em mármore adornada por grandes faixas publicitárias. Foi desativado em 1989 e acolhe hoje uma unidade hoteleira.

 

Cinema Condes

Do lado oposto da Praça dos Restauradores, ergue-se um edifício cor de tijolo, construído entre 1950 e 1952. O arquiteto Raúl Tojal projetou e orientou a obra e a emblemática fachada baixo-relevo é de Aristides Vaz. Actual casa do Hard Rock Café, a palavra “Condes” no topo desvenda a história deste cinema. Remonta a 1916, quando a empresa Castello Lopes começou a exploração cinematográfica do então Teatro da Rua dos Condes, ainda no velho edifício.

 

Cine-Teatro Capitólio

Subindo a Avenida da Liberdade pelo seu lado esquerdo, a cerca de 800 metros do antigo cinema Eden, encontramos o Parque Mayer, com várias salas de espetáculo. Nele vislumbramos um edifício classificado, inaugurado em 1922 com inovações como a estrutura de betão armado, um tapete rolante e uma esplanada no terraço a 11 metros de altura. O seu arquiteto, Luís Cristino da Silva, é considerado o precursor do modernismo em Portugal. O Cine-Teatro Capitólio tinha uma sala com capacidade para 1391 espetadores.

 

Cinema São Jorge

Percorrendo mais 300 metros pela Avenida da Liberdade, deparamo-nos no n.º 175 com o Cinema São Jorge, projetado pelo arquiteto Fernando Silva e inaugurado em 1950. Na época, o edifício foi sinónimo de sofisticação e grandeza pela estrutura da cobertura e capacidade das salas. Hoje, acolhe os principais festivais de cinema de Lisboa.

 

Cinema Tivoli

200 metros acima, voltamos a atravessar a Avenida da Liberdade em direção ao Cine Teatro Tivoli (agora designado Teatro Tivoli BBVA), projetado pelo arquiteto Raúl Lino e inaugurado em 1924. Dedicado, na altura, exclusivamente ao cinema, era considerado a melhor sala do país, exibindo apenas obras-primas. Violetas imperiais, de Henry Roussel, foi o primeiro filme exibido. Hoje, acolhe espetáculos diversos.

 

Monumental

Siga por metro ou a pé (20 minutos) até à Praça Duque de Saldanha. O cinema Monumental, onde fica hoje a Medeia Filmes, fez jus ao seu nome em 1951: grandiosas salas, ecrãs gigantes, um cinema para 2170 espetadores, um teatro com 1182 lugares, um café-restaurante e uma sala para exposições. Foi projetado pelo arquiteto Raúl Lima. Mais do que uma sala de cinema, tratava-se de uma referência urbana.

 

Cinema Império

Um último fôlego leva-nos a outra grande catedral do cinema dos anos 50: o Cinema Império ou Cine-Teatro Império, a 15 minutos a pé do Saldanha (em alternativa, podemos seguir até à estação de metro Alameda, linha vermelha). Inaugurado em 1952, com um traçado arquitectónico modernista da responsabilidade de Cassiano Branco, tinha capacidade para 1676 lugares. Hoje funciona como salão de culto religioso.

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