África no feminino em ruas de Lisboa

Escritoras, jornalistas, académicas, rainhas e até uma escrava. No Dia de África, saiba quem são as mulheres africanas imortalizadas por topónimos nas artérias lisboetas.

São sete as referências a figuras femininas africanas nas ruas de Lisboa, tendo como base o levantamento “Toponímia no Feminino” (1999-2006) feito pela Revista Faces de Eva, da FCSH/NOVA.

Jornalista e escritora de prosa e poesia, Antónia Pusich (1805-1883) nasceu em Cabo Verde e distinguiu-se em Portugal por ser a primeira mulher a expor o próprio nome nos cabeçalhos dos jornais. Numa altura em que as mulheres usavam pseudónimos masculinos para escrever, Pusich foi fundadora e diretora de três publicações periódicas e tem o nome numa rua na freguesia de Alvalade desde 1948.

Também pela escrita ficou conhecida Wanda Ramos. Nascida a 18 de Fevereiro de 1948 em Luanda, veio para Portugal com apenas nove anos. Trabalhou como tradutora para a RTP, lecionou na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e escreveu vários romances e obras de poesia, tendo sido homenageada com uma rua na freguesia do Areeiro. 

É na freguesia da Ajuda que se encontra o maior número de topónimos referentes a mulheres africanas.

É o caso da Rua da Rainha do Congo, referente a D. Maria Amália I. Herdeira legítima do rei do Congo, viajou para Lisboa em 1882, onde organizou bailes e festas que a imprensa da época caracterizou como “assombrosos”.

Uma história bem diferente está por detrás da Rua da Preta Constança. Figura popular, Constança foi uma “escrava trazida dos confins de África” e “viveu a fortuna, a desilusão e a desgraça neste bairro lisboeta” (nº7, 2002, p.158). Na Ajuda encontra-se também a Rua da Rainha da Ilha das Cobras, cuja origem é desconhecida mas que se presume ser “de raiz africana” (nº7, 2002, p.158).

Há ainda o Pátio das Pretas (escondido na rua da Páscoa, nº 39, na freguesia de Campo de Ourique, numa das muitas vilas operárias espalhadas pela cidade) e a Rua das Pretas, uma transversal à Avenida da Liberdade. Pouco se sabe sobre a origem destes dois topónimos. Contudo, no que toca à Rua das Pretas, “conhecem-se referências já do século XVII” (nº6, 2001, p.211), possivelmente relacionadas com um grupo de mulheres negras que geriam alojamentos para forasteiros naquele local.

Imagem: estrelícia ou ave do paraíso, originária do continente africano (África do Sul).

 

Trabalho realizado na Unidade Curricular de Produção Jornalística, do curso de Ciências da Comunicação da FCSH/NOVA. Teve como base o dossier Toponímia no Feminino publicado na revista  Faces de Eva (1999-2008), cuja fonte principal foi o Gabinete de Estudos Olisiponenses. A distribuição da toponímia por freguesias, realizada naquele dossier, foi atualizada tendo em conta a nova divisão administrativa, de 2012.

 

 

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Um comentário em “África no feminino em ruas de Lisboa

  • Parabéns pelo magnífico panorama de Lisboa no feminino. Há que incluir os locais por onde circulavam, moravam e trabalhavam as feministas da 1.ª e 2.ª vagas. Os (4) Roteiros Feministas na Cidade de Lisboa, vol. 1, publicados em 2010, são uma boa base de informação. O 2.º Volume está pronto a publicar há mais de três anos. Estes dois projectos foram desenvolvidos por investigadoras e investigadores de Faces de Eva e da UMAR. O 1.º foi premiado pela CML – Prémio Madalena Barbosa. Há que dar visibilidade à memória das mulheres na cidade.

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