9 Dezembro, 2018

África no feminino em ruas de Lisboa

Escritoras, jornalistas, académicas, rainhas e até uma escrava. No Dia de África, saiba quem são as mulheres africanas imortalizadas por topónimos nas artérias lisboetas.

São sete as referências a figuras femininas africanas nas ruas de Lisboa, tendo como base o levantamento “Toponímia no Feminino” (1999-2006) feito pela Revista Faces de Eva, da NOVA FCSH.

Jornalista e escritora de prosa e poesia, Antónia Pusich (1805-1883) nasceu em Cabo Verde e distinguiu-se em Portugal por ser a primeira mulher a expor o próprio nome nos cabeçalhos dos jornais. Numa altura em que as mulheres usavam pseudónimos masculinos para escrever, Pusich foi fundadora e diretora de três publicações periódicas e tem o nome numa rua na freguesia de Alvalade desde 1948.

Também pela escrita ficou conhecida Wanda Ramos. Nascida a 18 de Fevereiro de 1948 em Luanda, veio para Portugal com apenas nove anos. Trabalhou como tradutora para a RTP, lecionou na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e escreveu vários romances e obras de poesia, tendo sido homenageada com uma rua na freguesia do Areeiro. 

É na freguesia da Ajuda que se encontra o maior número de topónimos referentes a mulheres africanas.

É o caso da Rua da Rainha do Congo, referente a D. Maria Amália I. Herdeira legítima do rei do Congo, viajou para Lisboa em 1882, onde organizou bailes e festas que a imprensa da época caracterizou como “assombrosos”.

Uma história bem diferente está por detrás da Rua da Preta Constança. Figura popular, Constança foi uma “escrava trazida dos confins de África” e “viveu a fortuna, a desilusão e a desgraça neste bairro lisboeta” (nº7, 2002, p.158). Na Ajuda encontra-se também a Rua da Rainha da Ilha das Cobras, cuja origem é desconhecida mas que se presume ser “de raiz africana” (nº7, 2002, p.158).

Há ainda o Pátio das Pretas (escondido na rua da Páscoa, nº 39, na freguesia de Campo de Ourique, numa das muitas vilas operárias espalhadas pela cidade) e a Rua das Pretas, uma transversal à Avenida da Liberdade. Pouco se sabe sobre a origem destes dois topónimos. Contudo, no que toca à Rua das Pretas, “conhecem-se referências já do século XVII” (nº6, 2001, p.211), possivelmente relacionadas com um grupo de mulheres negras que geriam alojamentos para forasteiros naquele local.

Imagem: estrelícia ou ave do paraíso, originária do continente africano (África do Sul).

 

Trabalho realizado por Mariana Amorim, na Unidade Curricular de Produção Jornalística, lecionada por Marisa Torres da Silva, do curso de Ciências da Comunicação da NOVA FCSH. Teve como base o dossier Toponímia no Feminino publicado na revista  Faces de Eva (1999-2008), cuja fonte principal foi o Gabinete de Estudos Olisiponenses. A distribuição da toponímia por freguesias, realizada naquele dossier, foi atualizada tendo em conta a nova divisão administrativa, de 2012.

 

 

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1 comentário
  • Parabéns pelo magnífico panorama de Lisboa no feminino. Há que incluir os locais por onde circulavam, moravam e trabalhavam as feministas da 1.ª e 2.ª vagas. Os (4) Roteiros Feministas na Cidade de Lisboa, vol. 1, publicados em 2010, são uma boa base de informação. O 2.º Volume está pronto a publicar há mais de três anos. Estes dois projectos foram desenvolvidos por investigadoras e investigadores de Faces de Eva e da UMAR. O 1.º foi premiado pela CML – Prémio Madalena Barbosa. Há que dar visibilidade à memória das mulheres na cidade.

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