Arquitetos de Lisboa do século XX: Ventura Terra

Projetou palacetes e também os berços da natalidade e da educação de Lisboa. Enquanto vereador da Câmara Municipal de Lisboa, assinou um plano de melhoramento para a zona ribeirinha e um projeto urbanístico para o Parque Eduardo VII.

Miguel Ventura Terra (1866-1919) frequentou o curso de Arquitetura da Academia Portuense de Belas-Artes, foi bolseiro em Paris e discípulo de Victor Laloux, arquitecto da Gare de Orsay, hoje Museu de Orsay. Este gosto parisiense está, por exemplo, patente no Teatro Politeama, projetado por Ventura Terra em 1911, descrito neste artigo (2006) de Manuel Villaverde Cabral, mestre em História da Arte pela NOVA FCSH.

As fachadas assimétricas, o uso de novos materiais e uma monumentalidade pouco ostensiva caracterizam este arquiteto, responsável por importantes equipamentos urbanos, como a Maternidade Alfredo da Costa (1908) e os Liceus Camões (1907), Pedro Nunes (1909) e Maria Amália Vaz de Carvalho (1913). A sua própria casa, que recebeu o seu nome, o Palacete Valmor, o Palacete Mendonça e outras moradias valeram-lhe quatro Prémios Valmor e uma Menção Honrosa.

Em 1895, um incêndio destruiu a Câmara dos Deputados, no Palácio das Cortes, que acolhe hoje a Assembleia da República, e Ventura Terra ganhou o concurso para a reconstrução do interior e exterior do edifício, num estilo neoclassicizante, inaugurado em 1903.

Ventura Terra foi também vereador da Câmara Municipal de Lisboa. Raquel Henriques da Silva, do Departamento de História de Arte da FCSH/NOVA, realça na sua tese de mestrado – “As Avenidas Novas: 1900-1930” (1987) – a sua tentativa de melhoramento da zona ribeirinha, que nunca foi avante dada a fragilidade política e económica do período republicano.

3 comentários em “Arquitetos de Lisboa do século XX: Ventura Terra

  • O prédio da R. Alexandre Herculano nº 25, prémio Valmor de 1911, foi encomendado pelo meu trisavô, António Thomás Quartin, ao seu amigo Ventura Terra. Foi a casa da família do meu pai, que lá nasceu, até ser vendida à CML nos anos 50 do século passado. Conta-se na família que o prédio ao lado, menção honrosa do Prémio Valmor, que também ainda existe, foi em boa parte construído com material roubado à obra da casa do meu trisavô.

    • Caro Luís Quartin Graça,
      Que interessante! Agradecemos o seu comentário: de facto, as “estórias” sobre Lisboa cruzam-se em todo o lado.

      Muito obrigada!

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