16 Setembro, 2019

Carta de leitor alerta para destruição do património lisboeta

O texto publicado no Diário de Notícias em 2007 chamava a atenção para a demolição de uma moradia modernista projetada por Cassiano Branco (1897-1970) em Lisboa.

“Na Av. António José de Almeida, a moradia modernista (no nº 14) projectada por ele em 1930, está a ser demolida, o que entristece e revolta o cidadão consciente do património arquitetónico moderno. Como foi possível dar uma ordem de demolição a uma obra desta importância? Este lamentável caso prova que é urgente classificar aquele conjunto de moradias modernistas – único no País (…)”, condenava Fernando Jorge na carta publicada na rubrica “Tribuna Livre” do Diário de Notícias, destinada à correspondência dos leitores.

O leitor questionava o futuro de outros prédios de rendimento, ainda não classificados como edifícios de interesse público, projetados pelo mesmo arquiteto, como os da Avenida Defensores de Chaves, 27, da Avenida Álvares Cabral, 46 ou da Rua Nova de São Mamede, 7. Cassiano Branco foi um dos principais arquitetos modernistas portugueses. Além de prédios e moradias, assinou obras de referência como o Cine-Teatro Éden.

Esta carta integra um conjunto de mais de 300 cartas dos leitores enviadas para jornais como o Diário de Notícias ou o Expresso, em períodos de 2007 e 2008. A sua análise faz parte da tese de doutoramento (2010) em Ciências da Comunicação da NOVA FCSH, de Marisa Torres da Silva, publicada em livro (Livros Labcom, 2014). A investigadora examinou práticas associadas às cartas dos leitores na imprensa, quer por parte das organizações jornalísticas (critérios de seleção e perceções em relação ao seu público), quer por parte dos próprios leitores (motivações para a escrita), através de uma problematização fundada nas noções de espaço público e de democracia deliberativa.

Nota editorial: a moradia não foi entretanto demolida, como é possível ver na imagem (2014).

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