Mutilação genital feminina: uma realidade que atinge Lisboa

Há 4599 mulheres a residir no distrito de Lisboa que poderão ter sido submetidas a vários tipos de mutilação genital. É o valor mais alto do país, dado que Lisboa é o destino de 70% das mulheres originárias de países onde a prática é comum e aceite.

São mais de nove mil as mulheres estrangeiras que residem em Lisboa, provenientes de um conjunto de 29 países, liderado por Guiné-Bissau, onde a mutilação genital feminina/corte (MGF/C) está identificada. As cerca de 4500 que poderão ter sido afetadas por esta prática pertencem principalmente a cinco municípios: Sintra (34%), Loures (14%), Odivelas (12%) e Amadora (12%) e Lisboa (11%). Em todo o país, estima-se que tenham sido submetidas à MGF/C cerca de 6500 mulheres, de acordo com dados recolhidos de várias fontes entre 2010 e 2015.

Estas estimativas resultam de um projeto desenvolvido por uma equipa de 11 investigadores, coordenada por Manuel Lisboa, investigador do Centro Interdisciplinar de Ciências Sociais (CICS.NOVA) da NOVA FCSH, que deu origem ao relatório “Mutilação genital feminina: prevalências, dinâmicas socioculturais e recomendações para a sua eliminação” (2015).

Os migrantes que residem em Portugal mostraram, na sua maioria, não concordar com a prática. Ainda assim, as entrevistas revelam que a interpretação da religião e a pressão cultural por parte dos mais velhos para que se mantenha a tradição são os principais obstáculos à erradicação da mutilação genital feminina.

Alguns migrantes levam as meninas ao países de origem para que o “corte” seja feito, pois em Portugal é um crime. Nesses, ainda não está estabelecida a noção de que a mutilação genital feminina tem efeitos adversos, desde problemas psicológicos à possibilidade de morte devido a infeções e hemorragias.

O dia 6 de fevereiro foi definido pela ONU como o Dia Internacional da Tolerância Zero à Mutilação Genital Feminina.

Créditos da fotografia: Nuno Pires Soares.

 

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