Rendimento escolar e nutrição: o que nos dizem quatro escolas lisboetas

Estudar não é o único requisito para o sucesso escolar. Uma alimentação equilibrada contribui para o desempenho positivo dos alunos. Uma investigação da NOVA FCSH foi perceber, em quatro escolas de Lisboa, como é que o Índice de Massa Corporal (IMC) e a alimentação fora das escolas influenciam as médias dos alunos.

Os efeitos de uma má alimentação em idade pré-escolar podem trazer problemas ao longo da vida da criança, principalmente em contexto escolar. Jorge Ferreira, investigador do Centro Interdisciplinar de Ciências Sociais (CICS.NOVA) da NOVA FCSH, no artigo (2019), aponta que os estudos feitos neste sentido “concordam que as implicações para a política de saúde são enormes, sendo que o resultado da má nutrição em criança induz a médio e longo prazo uma muito maior intervenção do sistema de saúde público no controlo de doenças cardiovasculares, patologias psico-motoras e tantas outras patologias”.

O investigador quis, assim, perceber a realidade em quatro escolas lisboetas e a relação entre o rendimento escolar e o IMC dos alunos e, ao mesmo tempo, entender se há algum impacto no rendimento escolar quando os alunos não fazem as refeições na escola e saem para frequentar restaurantes ou adquirir bens alimentares perto do recinto escolar.

As conclusões, embora o investigador admita que o estudo deva ser mais aprofundado com outras variáveis, como o desporto e com a análise a mais escolas de Lisboa, demonstram que o rendimento escolar não parece ser afetado pela utilização de restaurantes fora da escola ou mesmo pela qualidade nutricional dos alimentos que consomem. Os índices de IMC demonstraram que a maioria da comunidade estudantil estudada não é obesa e que as médias das notas aumentavam quando o IMC era mais baixo, indicador de uma alimentação mais equilibrada. Porém, uma das escolas foi a exceção, como adiante é explicado.

Para a análise foram selecionadas duas escolas públicas e duas privadas, em diferentes áreas da cidade (duas no centro de Lisboa e as restantes na zona mais oriente da cidade): a escola EB 2/3 e Secundária Dona Filipa de Lencastre, na freguesia do Areeiro, o Colégio Sagrado Coração de Maria, em Arroios, o Colégio Pedro Arrupe e a escola EB2/3 Vasco da Gama, no Parque das Nações. No total, 648 adolescentes responderam ao inquérito, alunos com idades entre os 12 e os 17 anos do 7º e 9º anos de escolaridade. No mesmo dia, foi medido o Índice de Massa Corporal (IMC) de cada um.

A escola EB 2/3 e Secundária Dona Filipa de Lencastre foi a única que apresentou resultados diferentes, explica o investigador: “aqui verifica-se uma situação que difere de todos os outros equipamentos que é o facto de os valores apresentados serem positivos. Ou seja, à medida que a média total das notas aumenta, o valor da classe de IMC também aumenta ou vice-versa”. Em comparação às restantes escolas, é uma situação isolada.

Apesar das conclusões a que Jorge Ferreira chegou não demonstrarem a situação global da cidade de Lisboa, o investigador vinca que é necessário que “a relação entre a nutrição e o desenvolvimento sócio-económico” deve ser encarada como uma prioridade das políticas públicas.

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Ana Sofia Paiva
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