20 Outubro, 2018

Os 100 anos que mudaram a saúde e a face urbana de Lisboa – parte II

Nas primeiras décadas do século XVIII, Lisboa lutava contra as epidemias através de uma estratégia higienista que incluía um novo sistema de limpeza, saneamento urbano e alargamento das ruas. Contudo, o Terramoto de 1755 trocaria as voltas à cidade.

As doenças epidémicas, trazidas por quem chegava a Lisboa no século XVII, não encontravam obstáculos à sua proliferação: as ruas eram estreitas, os meios sanitários inexistentes e o conhecimento médico limitado, como é descrito na primeira parte deste artigo, baseado na tese de doutoramento em História da Arte (2012) de Adélia Caldas Carreira.

O discurso higienista, promovido por D. João V e que marcou a primeira metade do século XVIII, foi interrompido pelo Terramoto de 1755, obrigando a cidade a repensar a sua face urbana e o impacto na saúde pública. Lisboa estava então “desordenada”, salienta a investigadora, propiciando as práticas criminosas.

Foi Sebastião José de Carvalho e Melo, futuro Marquês de Pombal, que impediu o agravamento desta desordem, enquanto Secretário de Estado do Reino em 1756. Mandou sepultar os mortos, garantir a assistência hospitalar e medicamentosa aos feridos e enfermos, reparar os esgotos e drenar as águas estagnadas. No âmbito da segurança, proibiu a construção das barracas e perseguiu os criminosos, descreve Adélia Caldas Carreira. Mais tarde, seria criada a Intendência Geral da Polícia, para impor a ordem e o bem-estar social.

O segundo momento de processo de ordenação da cidade, da responsabilidade do Marquês de Pombal e de engenheiros ligados à cultura das Luzes, envolveu a Baixa Pombalina e outras áreas urbanas a norte, tal como as conhecemos hoje: uma malha ortogonal e racional, caracterizada por ruas retilíneas, largas e calcetadas.

Porém, o processo de ordenação da cidade viria a ficar comprometido várias vezes no século XIX, sobretudo devido às perturbações geradas pelas invasões francesas, pela ocupação inglesa, pelo desencadear da revolução liberal e por frequentes dificuldades financeiras.

Imagem: Planta Geral de Lisboa em 1785 (Francisco D. Milcent); Palácio Pimenta.

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Tempos e cidades (1.º semestre)
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História de Lisboa Medieval (1.º semestre)
Unidade curricular do mestrado em História, aberta a alunos externos. [Saiba +]

A cidade na cultura oitocentista (2.º semestre)
Unidade curricular do mestrado em História da Arte, aberta a alunos externos. [Saiba +]

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